Arquivo: Danças de 2016


NO QUE EU ME FUI METER...

Um desabafo de Sua Exa., o Diretor-Neófito.
Tive uma breve passagem pelas Danças de São Nicolau no ano de 1988, ano em que tive a imensa honra e prazer de ter desempenhado o cargo de Chefe-de-Bombos da Comissão de Festas, e em que, nessa qualidade, participei em alguns sketches das Danças.
Estive, depois, muitos anos afastado deste mais antigo dos números das festas, porque, logo em seguida, fui viver para Coimbra, a fim de, aí me licenciar em Direito, e, como cultor profundo das tradições académicas, me envolvi de imediato, de forma muito profunda nas inúmeras e muito antigas tradições da academia coimbrã, as quais aprendi rapidamente a amar e, tal como as Nicolinas, fiz minhas.
Regressado a casa e exercendo a profissão que, desde que me lembro, elegi, fui desafiado por alguns amigos de longa data que comigo partilhavam a experiência e a honra de terem sido membros de Comissões de Festas Nicolinas, a embarcar num novo projeto associativo destinado a reunir, em jeito de fórum, todos os que, desde sempre, integraram as diversas Comissões, a fim de partilhar experiências, aprofundar o conhecimento, dar largas ao amor que todos sentimos pelas Nicolinas e, sendo possível, ajudar a engrandece-las, a melhora-las, a transmitir essa paixão e essa experiência. Aceitei de imediato o desafio, até porque, para além de um enorme amor pelas nossas festas, tenho um carinho, um respeito e, como toda a cidade, uma impagável dívida de gratidão por tudo quanto o movimento associativo fez por Guimarães, no plano social, cultural, desportivo e económico.
Já no seio dessa nova organização a demos o nome de A.C.F.N., fui desafiado, em 2006, a regressar às Danças de São Nicolau. Fi-lo com gosto, na querida companhia de amigos de longa data, o André Coelho Lima, o Rui Barreira, o Francisco Gama Lobo, o Rui Melo, o Carlos Marques e o Miguel Coelho Lima.
Desde então, não mais deixei de participar, como ator e como autor, neste número que constitui um dos mais maravilhosos, divertidos e fundamentais momentos de celebração e de reconhecimento da nossa cultura popular. Um que, ao longo de todos estes séculos, sempre soube reinventar-se, estando à altura do seu tempo, muito por obra de sucessivas gerações de nicolinos que evoco neste momento - sem o mínimo de desprimor para todos os que o antecederam nestas funções, na pessoa de Miguel Bastos, o “meu” diretor das Danças de São Nicolau.
Foi a visão dele que trouxe as Danças de São Nicolau até ao Séc. XXI, sem as descaraterizar como espetáculo popular que iminentemente são, com respeito absoluto pela sua função simultaneamente lúdica e irreverente e socialmente crítica e politicamente empenhada, como momento criativo no qual reina a absoluta liberdade de expressão individual e coletiva. Ao mesmo tempo que cuidou de as manter, no essencial, iguais a si próprias, nos valores e nos princípios, soube incutir- lhes as marcas da modernidade que possibilitaram traze-las até hoje, com renovado interesse de que são prova as sucessivas edições absolutamente esgotadas. No processo de aprendizagem e colaboração, fiz um amigo (na verdade fiz vários e reencontrei outros tantos). Como diz a canção, “coisa mais importante no mundo não há."
Como se tudo isto não bastasse já - e apesar de nenhum de nós estar minimamente convencido disso -, o Miguel, desprendido como é, considerou que o seu consulado de 20 anos a conceber e dirigir as Danças de São Nicolau era suficiente, que era o momento de uma renovação, de trazer um olhar e ideias novas.
Chegados a este ponto e perante a constatação de que, desta vez, era mesmo a sério, o grupo de forma unânime entendeu que deveria ser eu a assumir a função de coordenar o espetáculo. Integrar o elenco de todos os que o fizeram antes mim, representa uma responsabilidade gigantesca, da qual me resta esperar estar à altura.
Vale-me o facto de estar rodeado de talento, amizade e empenho de um grupo que, com o Miguel à cabeça, me aligeira a carga e me faz acreditar na possibilidade de servir as festas que tanto amo de modo válido.
Um sincero obrigado a todos pela amizade, voto de confiança e carinho.

Até já!
Jorge Castelar

Post Scriptum: quis o destino que estas minhas "primeiras" Danças de São Nicolau, fossem também as primeiras sem a presença do enorme Amigo e ímpar Nicolino, Francisco Ribeiro. O vazio é absoluto e, em sua homenagem, decidimos retirar de cena, nesta edição, o personagem que fez seu, "Teolindo, o Camareiro", que regressará para novas aventuras no próximo ano. Para o bem e para o mal, dedico-lhe estas Danças, num abraço apertado. Até sempre, companheiro!




FICHA TÉCNICA
Direcção Geral - Jorge Castelar, Miguel Bastos
Textos originais e adaptações - Miguel Bastos, Jorge Castelar, Francisco Castro Ferreira, José Ribeiro, Tiago Guimarães, José João Torrinha, César Machado, Rui Melo.
Letras - Miguel Bastos, César Machado
Músicas originais - Paulo Rodrigues, Tiago Simães
Gravações - João “Xtrondo” Guimarães
Direcção musical - Tiago Simães
Coreografia - Sofia Ribeiro
Cenografia - Carlos Coutinho
Operador multimédia - João Bernardo, José Manuel A. Fernandes
Capa e desenho gráfico - Miguel Sousa
Apoio organizativo - Augusto Costa, João Neves, Vicente Salgado
Sonoplastia / Luminotecnia - Equipa do C. C. Vila Flor
Ponto Electrónico e VOZ-OFF - José João Torrinha
Filmografia - Ricardo Leite
Guarda-Roupa / Adereços - A. A. E. L. G. / Velhos Nicolinos
Orquestra - rovadores do Cano
Direcção da orquestra - Maestro Manuel Magalhães
Ensaios Centro Assuntos da Arte e Arquitectura e Escola Sec. Francisco de Holanda
Produção / Coordenação - A. A. E. L. G. / Velhos Nicolinos


SÃO NICOLAU
COMO VIVEU E COMO OBROU
São Nicolau de Mira, dito Taumaturgo, nasceu na segunda metade do Séc. III e morreu no dia 6 de dezembro do ano de 350. Da sua vida, chegaram-nos inúmeras lendas e relatos de milagres, sempre relacionados com a caridade, generosidade e afinidade com as crianças, entre os quais se destacam:
- A salvação das filhas de um comerciante caído na falência, que destinava as suas três filhas à prostituição. O santo, sabendo desse plano, atirou vários sacos de moedas de ouro e prata pela chaminé da casa e, com esse dinheiro, o homem pagou o dote das moças, casando-as dignamente e restabeleceu os seus negócios;
- Noutra ocasião, em época de grande carestia, um estalajadeiro ávido de lucros, como não tinha refeição para servir aos clientes, sequestrou três crianças a fim de transformá-las em bifes e ensopado. Matou-as, esquartejou-as e armazenou as partes em um barril de salmoura. São Nicolau, descobrindo o crime, reuniu os membros cortados e ressuscitou as crianças;
- Nicolau viajava muito por mar, com destino a lugares santos e muitas vezes enfrentou o mau tempo e ficou conhecido pelo seu poder de aplacar tempestades e caminhar sobre as águas, salvando navios e náufragos;
- A sua ligação com as crianças, mais tarde, reforçou a sua identificação com as características do Pai Natal, pois premiava as que se aplicavam mais ao estudo do catecismo e as que se portavam melhor, pelo que lhe é prestado culto, como protetor dos estudantes.
Durante a sua vida, um dos papas foi Marcelo I.
Destes e de outros episódios da vida do nosso Santo falaremos em seguida, a fim de percebermos melhor o que realmente se passou... ou, então... não.


INTERVENIENTES
Afonso Coelho Lima
Alberto Guimarães 
André Assis 
André Coelho Lima 
André Malheiro
António Araújo 
António Rodrigues 
Armando Castro 
Augusto Costa 
Carlos Alpoim
Carlos Coutinho 
Carlos Marques 
Carlos Rafael Garcia 
César Machado 
Diogo Gonçalves 
Eduardo Lobo 
Fernando Ribeiro 
Filipe Guimarães 
Francisco Castro Ferreira 
Francisco Leite  
Francisco Soares 
Frederico Gonçalves 
Gonçalo Costa 
João “Xtrondo” Guimarães 
João Bernardo
João Mesquita 
João Neves 
João Pedro Raynoch
Jorge Castelar 
José A. Fernandes
José Almeida 
José Diogo 
José João Torrinha 
José Ribeiro 
José Vitor Pereira 
Luís Alves 
Luís Guise
Marco Miranda 
Marco Rodrigues 
Miguel Bastos 
Nuno Fernandes 
Nuno Meneses 
Paulo Rodrigues
Pedro “Pi” Carvalho 
Pedro Cunha 
Pedro Lemos 
Pedro Vinagreiro 
Ricardo Guimarães 
Rui Barreira 
Rui Fernandes 
Rui Leite 
Rui Melo 
Rui Silva
Sérgio Lopes 
Tiago Guimarães 
Tiago Ribeiro 
Tiago Simães
Vicente Salgado 



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